domingo, 24 de agosto de 2008

Clip "Leia o Livro" - Tim Maia Racional - Animação finalista do concurso "Você é o Diretor"

Em setembro de 2006, eu e Tatiana Cavinato decidimos participar do concurso "Você é o Diretor", da gravadora Trama Virtual. Um mês depois, tivemos a grata notícia de que éramos finalistas, conquistando o segundo lugar do concurso, que teve 542 concorrentes.

Tudo começou no nosso saudoso atelier da Rua Guajajaras, cujas paredes foram completamente cobertas pelas telas do storyboard. Ali, ouvindo compulsivamente a música "Leia o Livro", fazíamos a sincronia, ajustando o timing da música com as cenas, os cortes, como se fizéssemos já uma pré-edição. Tudo isso não-linear: dependendo da inspiração, focávamos no roteiro, na sincronia ou no desenho. Na fase final do projeto, com um brilhante trabalho de edição, o Rodrigo Simões veio somar forças conosco.

Confira a animação no vídeo abaixo:



Leia, abaixo, a notícia oficial sobre o prêmio (por Tatiana Dias):

"Como fazer um clipe de um artista que não está mais aqui – e, pior, de uma fase desconhecida que não tem registros em vídeo? Exatamente 542 universitários toparam o desafio e se inscreveram para enviar suas impressões da fase racional do Tim Maia. Os clipes, totalmente diferentes entre si, deram trabalho para os jurados. Como não havia imagens do Tim Maia nos shows, os participantes abusaram da criatividade em animações, computação gráfica e interpretação.

O vencedor, que escolheu a música “Bom Senso” optou pela animação. Com um desenho simples e traços infantis, o resultado é um clipe bem-humorado, cheio de personagens e sacadas engraçadas – tem até o Tim Maia com um quê de Shiva, o deus Hindu. Luiz Berger, estudante de design gráfico no Senac – o diretor – explica que pensou na letra da música para criar o roteiro – em que as pessoas saem de bolhas, voam e, parece, alcançam o “bom senso”. Além de Luiz, mais três pessoas se envolveram na produção do vídeo – o irmão dele e mais dois amigos, que “fizeram de tudo”. Luiz, com o melhor clipe, faturou R$ 5 mil.

O segundo colocado tem uma estética bem diferente. Tatiana Cavinato e Ronaldo Gazel, estudantes de artes plásticas na UEMG, fizeram uma leitura psicodélica de “Leia o livro”: uma animação ultra-colorida, com desenhos em lápis de cor, um Tim Maia em tapete voador e muitos bichos estranhos. Tatiana, que já conhecia e adorava os sons da fase racional do Tim Maia, explica que criar a animação foi complexo: “é um livro, que tem coisas que a gente não necessariamente concorda. Foi difícil fazer sem se posicionar”. Depois de definida a música – escolhida por não ser tão conhecida como “Bom senso” e “Que beleza” –, Tatiana, Ronaldo e Rodrigo Simões, responsável pela edição, finalizaram o clipe. Eles faturaram R$ 2 mil.

O terceiro melhor clipe, na opinião dos jurados, também é uma leitura de “Bom senso”, mas em um viés totalmente oposto do primeiro lugar. A vencedora é Paula Marques, estudante de Design Industrial na Unesp. Com a ajuda do namorado e de computação gráfica, o clipe de Paula tem uma cara meio disco, muito bem compassado com as batidas do Tim Maia. “Eu levei em consideração a música e também a época do disco”, explica a universitária. Ela, que sempre entra no site do TU, resolveu participar na última hora – no período de prorrogação das inscrições. Que sorte: ela faturou o terceiro lugar e R$ 1 mil."

Videoarte - 43,70

O mundo atonal de formas e cores proposto por Alexander Calder em suas esculturas influenciou sobremaneira a criação de uma atmosfera que desconsidera os paradigmas do mundo real, optando por uma abordagem lúdica no deslocamento dos objetos e no diálogo entre eles.

Com objetos comprados em uma "loja de R$1,99", cenários hipersaturados e personagens não-identificáveis vão se compondo e se decompondo, sugerindo e desfazendo supostos entendimentos sobre a cena exposta.

Custo total da produção e compra dos objetos = R$43,70



Não tenho dúvida alguma quanto ao fato de que Marco Tulio Resende foi um dos meus melhores e mais admiráveis professores, no curso de Artes Plásticas, da Escola Guignard (UEMG). Tive a grata felicidade de estudar dois períodos com ele, na disciplina de expressão bi-tri; momentos que, tenho certeza, foram riquíssimos para todos os colegas, tanto em debates quanto em produção artística.

São duas as minhas principais lembranças; a primeira delas, inclusive, inspirou-me para o fechamento da minha palestra atual ("Flashback!"), que fala sobre as nossas "Caixas de Pandora", figura de linguagem que remete ao mito original, grego. É preciso que tenhamos muita sinceridade para conosco, tanto para compreender a ATRAÇÃO quanto a REPULSA. E Marco Túlio propunha exercícios maravilhosos de busca interior, para que viajássemos por entre territórios abandonados e medonhos, e expressássemos tanto verbalmente quanto não-verbalmente, as nossas respostas internas.

A outra lembrança foi uma visita que fizemos ao centro da cidade, passando por lojas de 1,99 e comprando tudo quanto era tranqueira que passasse pela nossa frente. Era um exercício assumidamente dadaísta: deslocamento da idéia de "material ideal" para a arte, utilizando objetos que em princípio não foram fabricados para essa finalidade. Lembrando Rauschemberg - que passeava ao redor do quarteirão de sua casa, em New York, recolhendo "pré-objetos", materiais que ninguém queria, sucata, lixo - os alunos foram convidados por Marco Túlio para criarem qualquer trabalho utilizando o nosso, então, novo arsenal de criação. Lembro-me de que no dia da apresentação, impressionou-me o fato de que cada trabalho era COMPLETAMENTE distinto, e a esmagadora maioria desses trabalhos possuía um magnífico discurso conceitual ao mesmo tempo que impressionava pela qualidade plástica. Esse vídeo, "43,70" foi a minha resposta ao exercício proposto.

Para finalizar, um pequeno texto do próprio Marco Túlio Resende, falando um pouco sobre si:

"Minha poética é fruto de tudo que encontrei, toquei, deixei, perdi e sonhei; meu veneno e meu antídoto: nascimento por fórceps, descobertas lúdicas da infância, visões da morte, gestos não correspondidos, paixões avassaladoras, abandonos, emanações. Tudo é apenas ir e vir e como num palimpsesto, faço, desfaço e refaço, duvido e desconfio, avanço e paro quando me saturo: sou pelos excessos. Gostaria que meu trabalho fosse apenas isso: meu rastro e meu selo; e que fosse forjado na mais sincera nudez."

domingo, 17 de agosto de 2008

GIGABOOM! - 1996 - Videogames, RPG, BBS e outras podreiras

Depois de 12 anos guardado numa fita VHS, o programa-piloto do GIGABOOM, que fala sobre videogames, RPG, Computer Games, BBS e umas loucuras muito toscas, foi digitalizado. E o mais incrível, perdeu pouquíssima qualidade de vídeo e áudio, considerando-se todo esse tempo. Talvez porque o original foi totalmente gravado em Betacam, conferindo excelente resolução de imagem. Confiram as três partes!

Parte 01 de 03



Parte 02 de 03


Parte 03 de 03


O programa foi criado em parceria com o Sistema Salesiano de Vídeo, que apostou na idéia, apesar da anarquia proposta pela trupe que apresenta o programa (que vocês conhecerão no vídeo). E agradou bastante aos padres.

Trivia: depois do programa pronto, o padre que mandava geral no SSV disse que tinha homem demais! Sugeriu colocar uma mulher. Dito e feito, inserimos uma gata no meio da história. "Sininho....." ;-)

O fato é que estou muito feliz em poder trazer pra vocês agora esse programa-piloto. É tosco? É. Mas, pensem comigo, isso é 1996! E, detalhe: editado em videomachine, Windows 3.1.

Meu tio, João Gazel (cabeludo que aparece no final do vídeo), de quem eu era sócio na Equipe de Criação - nossa agência - foi o cara que mais apostou no projeto - cujo conceito surgiu após uma conversa de João com um antigo sócio, Zé Carlos. Meu tio então criou a idéia central do projeto, um programa para jovens, dentro de um segmento que até então não era suprido pela mídia: os maníacos por videogame, BBS/Internet e RPG. Naquele tempo, por mídia, entenda-se: TV.

Comprei imediatamente a idéia, claro! Especialmente porque de antemão já sabia quem seriam os atores: meus amigos, tão ou mais nerds do que eu, pessoas comuns, mas notadamente especialistas no assunto, usando uma linguagem altamente coloquial, fazendo o expectador se identificar de tal maneira que pudesse pensar: "eu poderia estar ali, junto daquela turma de malucos!". Esse era o nosso grande diferencial conceitual na apresentação. Sendo assim, fui convocando e explicando o projeto para cada um deles, que foram se envolvendo e dando idéias, criando o amálgama que faltava para dar vida ao programa, criando solidez conceitual.

Com a fita na mão, rodamos vários canais de TV e tivemos reações surpreendentes! Mas ninguém teve coragem de exibir. Vou ver se posto todas as curiosidades sobre esse projeto no meu blog, daí eu mando um link.

Alguns destaques:

- Israel, Arnon, Marco Aurélio e Lupércio dando um show de atuação
- Marco Aurélio, Israel e Lupércio narrando os jogos sem roteiro, toscamente
- Spoilers: final do Resident Evil
- Previews: Tekken2, Sega Rally, Panzer Dragoon 2 e um futebol do Saturno.
- Marco Aurélio e Israel vestidos de mulher (HOT!!!)
- Arnon ensinando a acessar a Seven BBS via TELIX
- Israel detonando no kung fu e me transformando em salame (Comando Ninja)
- Eu, 40 quilos mais magro e de costeletas gigantes
- Muitas tosqueiras podres
- Clip megaprodução (haha!) no final, com grua e tudo o mais.

Direção: Rômulo Breda (Rominho)
Trilha sonora: Ruben Di Souza