Domingo, 24 de Agosto de 2008
Clip "Leia o Livro" - Tim Maia Racional - Animação finalista do concurso "Você é o Diretor"
Tudo começou no nosso saudoso atelier da Rua Guajajaras, cujas paredes foram completamente cobertas pelas telas do storyboard. Ali, ouvindo compulsivamente a música "Leia o Livro", fazíamos a sincronia, ajustando o timing da música com as cenas, os cortes, como se fizéssemos já uma pré-edição. Tudo isso não-linear: dependendo da inspiração, focávamos no roteiro, na sincronia ou no desenho. Na fase final do projeto, com um brilhante trabalho de edição, o Rodrigo Simões veio somar forças conosco.
Confira a animação no vídeo abaixo:
Leia, abaixo, a notícia oficial sobre o prêmio (por Tatiana Dias):
"Como fazer um clipe de um artista que não está mais aqui – e, pior, de uma fase desconhecida que não tem registros em vídeo? Exatamente 542 universitários toparam o desafio e se inscreveram para enviar suas impressões da fase racional do Tim Maia. Os clipes, totalmente diferentes entre si, deram trabalho para os jurados. Como não havia imagens do Tim Maia nos shows, os participantes abusaram da criatividade em animações, computação gráfica e interpretação.
O vencedor, que escolheu a música “Bom Senso” optou pela animação. Com um desenho simples e traços infantis, o resultado é um clipe bem-humorado, cheio de personagens e sacadas engraçadas – tem até o Tim Maia com um quê de Shiva, o deus Hindu. Luiz Berger, estudante de design gráfico no Senac – o diretor – explica que pensou na letra da música para criar o roteiro – em que as pessoas saem de bolhas, voam e, parece, alcançam o “bom senso”. Além de Luiz, mais três pessoas se envolveram na produção do vídeo – o irmão dele e mais dois amigos, que “fizeram de tudo”. Luiz, com o melhor clipe, faturou R$ 5 mil.
O segundo colocado tem uma estética bem diferente. Tatiana Cavinato e Ronaldo Gazel, estudantes de artes plásticas na UEMG, fizeram uma leitura psicodélica de “Leia o livro”: uma animação ultra-colorida, com desenhos em lápis de cor, um Tim Maia em tapete voador e muitos bichos estranhos. Tatiana, que já conhecia e adorava os sons da fase racional do Tim Maia, explica que criar a animação foi complexo: “é um livro, que tem coisas que a gente não necessariamente concorda. Foi difícil fazer sem se posicionar”. Depois de definida a música – escolhida por não ser tão conhecida como “Bom senso” e “Que beleza” –, Tatiana, Ronaldo e Rodrigo Simões, responsável pela edição, finalizaram o clipe. Eles faturaram R$ 2 mil.
O terceiro melhor clipe, na opinião dos jurados, também é uma leitura de “Bom senso”, mas em um viés totalmente oposto do primeiro lugar. A vencedora é Paula Marques, estudante de Design Industrial na Unesp. Com a ajuda do namorado e de computação gráfica, o clipe de Paula tem uma cara meio disco, muito bem compassado com as batidas do Tim Maia. “Eu levei em consideração a música e também a época do disco”, explica a universitária. Ela, que sempre entra no site do TU, resolveu participar na última hora – no período de prorrogação das inscrições. Que sorte: ela faturou o terceiro lugar e R$ 1 mil."
Videoarte - 43,70
Com objetos comprados em uma "loja de R$1,99", cenários hipersaturados e personagens não-identificáveis vão se compondo e se decompondo, sugerindo e desfazendo supostos entendimentos sobre a cena exposta.
Custo total da produção e compra dos objetos = R$43,70
Não tenho dúvida alguma quanto ao fato de que Marco Tulio Resende foi um dos meus melhores e mais admiráveis professores, no curso de Artes Plásticas, da Escola Guignard (UEMG). Tive a grata felicidade de estudar dois períodos com ele, na disciplina de expressão bi-tri; momentos que, tenho certeza, foram riquíssimos para todos os colegas, tanto em debates quanto em produção artística.
São duas as minhas principais lembranças; a primeira delas, inclusive, inspirou-me para o fechamento da minha palestra atual ("Flashback!"), que fala sobre as nossas "Caixas de Pandora", figura de linguagem que remete ao mito original, grego. É preciso que tenhamos muita sinceridade para conosco, tanto para compreender a ATRAÇÃO quanto a REPULSA. E Marco Túlio propunha exercícios maravilhosos de busca interior, para que viajássemos por entre territórios abandonados e medonhos, e expressássemos tanto verbalmente quanto não-verbalmente, as nossas respostas internas.
A outra lembrança foi uma visita que fizemos ao centro da cidade, passando por lojas de 1,99 e comprando tudo quanto era tranqueira que passasse pela nossa frente. Era um exercício assumidamente dadaísta: deslocamento da idéia de "material ideal" para a arte, utilizando objetos que em princípio não foram fabricados para essa finalidade. Lembrando Rauschemberg - que passeava ao redor do quarteirão de sua casa, em New York, recolhendo "pré-objetos", materiais que ninguém queria, sucata, lixo - os alunos foram convidados por Marco Túlio para criarem qualquer trabalho utilizando o nosso, então, novo arsenal de criação. Lembro-me de que no dia da apresentação, impressionou-me o fato de que cada trabalho era COMPLETAMENTE distinto, e a esmagadora maioria desses trabalhos possuía um magnífico discurso conceitual ao mesmo tempo que impressionava pela qualidade plástica. Esse vídeo, "43,70" foi a minha resposta ao exercício proposto.
Para finalizar, um pequeno texto do próprio Marco Túlio Resende, falando um pouco sobre si:
"Minha poética é fruto de tudo que encontrei, toquei, deixei, perdi e sonhei; meu veneno e meu antídoto: nascimento por fórceps, descobertas lúdicas da infância, visões da morte, gestos não correspondidos, paixões avassaladoras, abandonos, emanações. Tudo é apenas ir e vir e como num palimpsesto, faço, desfaço e refaço, duvido e desconfio, avanço e paro quando me saturo: sou pelos excessos. Gostaria que meu trabalho fosse apenas isso: meu rastro e meu selo; e que fosse forjado na mais sincera nudez."
Domingo, 17 de Agosto de 2008
GIGABOOM! - 1996 - Videogames, RPG, BBS e outras podreiras
Parte 01 de 03
Parte 02 de 03
Parte 03 de 03
O programa foi criado em parceria com o Sistema Salesiano de Vídeo, que apostou na idéia, apesar da anarquia proposta pela trupe que apresenta o programa (que vocês conhecerão no vídeo). E agradou bastante aos padres.
Trivia: depois do programa pronto, o padre que mandava geral no SSV disse que tinha homem demais! Sugeriu colocar uma mulher. Dito e feito, inserimos uma gata no meio da história. "Sininho....." ;-)
O fato é que estou muito feliz em poder trazer pra vocês agora esse programa-piloto. É tosco? É. Mas, pensem comigo, isso é 1996! E, detalhe: editado em videomachine, Windows 3.1.
Meu tio, João Gazel (cabeludo que aparece no final do vídeo), de quem eu era sócio na Equipe de Criação - nossa agência - foi o cara que mais apostou no projeto - cujo conceito surgiu após uma conversa de João com um antigo sócio, Zé Carlos. Meu tio então criou a idéia central do projeto, um programa para jovens, dentro de um segmento que até então não era suprido pela mídia: os maníacos por videogame, BBS/Internet e RPG. Naquele tempo, por mídia, entenda-se: TV.
Comprei imediatamente a idéia, claro! Especialmente porque de antemão já sabia quem seriam os atores: meus amigos, tão ou mais nerds do que eu, pessoas comuns, mas notadamente especialistas no assunto, usando uma linguagem altamente coloquial, fazendo o expectador se identificar de tal maneira que pudesse pensar: "eu poderia estar ali, junto daquela turma de malucos!". Esse era o nosso grande diferencial conceitual na apresentação. Sendo assim, fui convocando e explicando o projeto para cada um deles, que foram se envolvendo e dando idéias, criando o amálgama que faltava para dar vida ao programa, criando solidez conceitual.
Com a fita na mão, rodamos vários canais de TV e tivemos reações surpreendentes! Mas ninguém teve coragem de exibir. Vou ver se posto todas as curiosidades sobre esse projeto no meu blog, daí eu mando um link.
Alguns destaques:
- Israel, Arnon, Marco Aurélio e Lupércio dando um show de atuação
- Marco Aurélio, Israel e Lupércio narrando os jogos sem roteiro, toscamente
- Spoilers: final do Resident Evil
- Previews: Tekken2, Sega Rally, Panzer Dragoon 2 e um futebol do Saturno.
- Marco Aurélio e Israel vestidos de mulher (HOT!!!)
- Arnon ensinando a acessar a Seven BBS via TELIX
- Israel detonando no kung fu e me transformando em salame (Comando Ninja)
- Eu, 40 quilos mais magro e de costeletas gigantes
- Muitas tosqueiras podres
- Clip megaprodução (haha!) no final, com grua e tudo o mais.
Direção: Rômulo Breda (Rominho)
Trilha sonora: Ruben Di Souza
Terça-feira, 29 de Julho de 2008
Entrevista com Ronaldo Gazel - Revista Webdesign - Maio 2008 - Metodologia de Criação - Parte 02
6 - Outra etapa muito interessante é o estudo de referências, no qual você se depara com os caminhos que outros profissionais encontraram para "...vencer desafios em situações semelhantes às que o seu projeto apresenta". Pensando nisso, quais são os limites e os cuidados necessários para que este material seja utilizado apenas como referência e não como cópia de outros
projetos?
Sobre o estudo de referências, costumo dizer que ele se parece com o desafio de se passar por um campo minado. O soldado mais afobado, menos consciente do que acontece ao seu redor, sairá feito doido, apressado, correndo através do campo, criando seu caminho, arriscando ativar uma mina. Existe uma chance dele sair ileso, mas ela é mínima. A atitude mais sensata seria parar um pouco e analisar as pegadas, procurando a trilha de quem passou pelo campo ileso. Mas atenção! Como eu avisei durante do 10EWD, é preciso ser criterioso para interpretar essa história, tomando cuidado para apenas seguir as pegadas de quem atravessou o campo, ileso – e não para subir nas costas! É preciso entender os dilemas e as soluções, compreendendo as pesquisas e os raciocínios que levaram outras pessoas a encontrar soluções análogas às nossas. Muito diferente de colecionar referências com o objetivo simplesmente de copiar elementos visuais – uma estratégia nada recomendada.
As referências do webdesigner não precisam - e nem devem, na minha opinião pessoal - ficar restritas a interfaces. É preciso buscar em livros, em revistas - sejam elas feitas de papel ou digitais; assistir a filmes, vinhetas; assinar o RSS das principais produtoras de conteúdo, de mídia, de animações, baixando demo-reels, transitando pelo maior número de meios que permitam praticar um olhar proativo, atualizando seus bookmarks, recebendo e transmitindo fontes de pesquisa via broadcasting, tentando sentir a todo instante que essas informações não servem apenas para entretenimento ou informação, e sim para gerar o upgrade sensorial de maneira aplicada à vida prática. Caso contrário, se não nos direcionarmos no processo de pesquisa, acabaremos por nos afogar num universo de informações torrenciais que nem sempre contribuirão com nosso desenvolvimento criativo, gerando apenas confusão mental.
7 - Falando ainda sobre o estudo de referências, quais são os diretórios de criatividade que você costuma utilizar na produção de seus projetos?
O Webdesign atingiu uma importância nunca antes vista, com a amplificação do debate filosófico, estético e conceitual sobre os meios e as perspectivas de se pensar, de se gerar conteúdo e interatividade; uma percepção de propósitos, utilidade e usabilidade cada vez mais difundida – e segmentada – diga-se de passagem, com o surgimento de vertentes vão desde os evangelistas da padronização, com seu approaching objetivo e positivo, até os artistas que trabalham com o caos navegacional, sem objetivo universalizado. E tem espaço pra todo mundo, isso é o mais bacana!
Diante dessas inúmeras abordagens sui-generis que o Webdesign nos apresenta, hoje, fez- se necessário que as próprias fontes de referência, antes mais universalizadas, agora se multiplicassem, ramificando-se em nichos próprios, considerando um usuário-colaborador que se pretende promotor das tendências, cada qual com suas premissas e seus objetivos. Um usuário compromissado não apenas com a forma.
Iniciando pela vertente de usuários que tem foco na aplicação de webstandards, movimento que busca o melhor relacionamento, a maior eficiência no lido com a mensagem, passando por aqueles cujo foco é mercadológico, seguindo metas muito particulares, considerando fatores cronológicos e semióticos específicos, chegando até o foco artistico, onde, literalmente, vale tudo em matéria de linguagem e interatividade, o universo de propostas conceituais e estéticas que se apresenta hoje para o webdesigner, é de uma riqueza nunca antes vista. Sagaz daquele que, ao invés de ficar focado apenas na sua área, consiga também entender – pelo menos entender – as realidades dos diversos focos. E é nessa hora que os sites de pesquisa, referências, blogs, e-zines e outras fontes mostram-se grandes ferramentas para compreendermos integralmente o que de fato acontece nas outras esferas criativas, artísticas, comerciais, filosóficas, tecnológicas, que não as nossas próprias.
Bruce Lee já dizia que se um jogador de tênis resolve jogar ping-pong para aprimorar seus reflexos, ele não vai ser chamado de “traidor”. Assim como o webdesigner pode perfeitamente imergir no universo do design gráfico, por exemplo; da mesma forma como o webdesigner focado em linguagem publicitária pode – e deve – buscar entender como pensam os teóricos e arquitetos da informação em relação ao presente e ao futuro do webdesign, sem viés comercial. Apenas para exemplificar.
8 - Uma das vantagens da aplicação do esforço sinergético envolve sua flexibilidade tanto para a supressão de determinadas etapas, como também a possibilidade de inclusão de outras. Quando isso costuma acontecer?
É preciso assumir o processo como um caminho em constante mutação, revendo tais atividades diariamente, a todo instante. É como se nos transformássemos num radar de nós mesmos, entendendo as nossas próprias mudanças internas e externas, e a partir delas, desenvolvêssemos as novas “features”, as novas etapas formadoras da nossa metodologia organo-funcional. Por exemplo: um projeto que possua pouco prazo para desenvolvimento, muitas vezes demanda trabalhar com apenas Apresentação, To Do List e Layout; outros que possuam um comprometimento estético, uma abordagem mais artística, necessitam de estudos detalhados de referência, de storyboards, da criação de scratches; porque, como já dito, o “esforço sinergético” é uma dessas metodologias que só faz sentido se for completamente adaptada aos nossos perfis práticos e psicológicos.
É preciso também atualizar a própria maneira de se trabalhar dentro de cada módulo, atualizando-se sempre. Por exemplo: à época da palestra, em 2005, eu usava o Outlook Express durante quase todo o tempo, por isso usava sempre o template de mensagem para registrar idéias, e usava as estruturas das pastas para organizar os dados; hoje em dia não faço mais assim, utilizo os Google Apps, especialmente o Gmail e o Google Docs, que permitem trabalhar de maneira colaborativa, ampliando toda a maneira com que se percebe e com features que, há 3 anos, pareceriam algo distante.
9 - Como qualquer outro campo do conhecimento, devemos procurar sempre estimular a criatividade para se buscar a evolução desta prática. Quais são os exercícios de criação que você costuma utilizar?
Primeiramente, um exercício permanente: buscar um posicionamento critico diante da realidade, da arte, do comportamento, da idéia geral de “belo”, de “bom”, de “ideal”, usando essa “Insatisfação” para gerar novos insights, novas conexões não-usuais, no dia-a-dia.
Outro exercício permanente, que é na verdade uma postura mental, é assumir o processo criativo como um processo catártico, emocional, e não apenas racional. Não adianta comprar um livro explicando o passo-a-passo da criação de um site de sucesso, É preciso se sensibilizar, entender razões, indo até, se precisar, na sua própria “caixa de pandora”, revirando o baú onde guardamos sentimentos dos quais temos medos, questionamentos sobre nós mesmos que não queremos encarar. Repetindo: não há ganho, sem “dor”.
Também ajuda bastante a criar uma sensação de mobilidade, sair da rotina de maneira programada, sincera, habitual – porque idas ao cinema, saídas a boates, a museus, a exposições, a mostras, feitas de “urgência”, quando estamos em crise, nos faz projetar falsas expectativas, e o tiro pode sair pela culatra: a solução acaba por aumentar ainda mais o problema.
Além disso, relacionei algumas atitudes que eu pratico e que costumam gerar excelentes resultados. Vamos a elas:
Praticar o olhar analítico, percebendo as propriedades visuais das imagens, no dia-a-dia – temos a tendência em 'fechar' a Gestalt rapidamente, atitude responsável por 'pasteurizar' muitas criações nossas. Precisamos ser hábeis em mudar de paradigma perceptivo para explorarmos novas possibilidades de gestalt além das óbvias - e para isso vamos desenvolver o olhar analítico - sem deixar de trabalhar o olhar livre, criativo - até porque a habilidade analítica nos deixa muito mais à vontade, seguros para 'soltar a mente' no olhar criativo, livre. A pressa acelera ainda mais a velocidade da gestalt - é preciso desacelerar esse processo, aumentando o tempo de percepção da imagem – desprendendo-se do automatismo sensorial e enxergando novos valores, ainda que a partir de uma imagem velha.
Identificar posições etnocêntricas e praticar a visão global – É fundamental se posicionar como radar de pensamentos, idéias e tendências, fazendo o máximo esforço para compreender a diversidade em que vivem as pessoas, principais razões do webdesign, da comunicação, da arte. É preciso compreender as realidades alheias, por mais que, muitas vezes, não concordemos nem compartilhemos de algumas atribuições predicativas (ruim, errado, certo, bom, mau, etc) a respeito de qualquer objeto, ser ou situação. É assim que nos transformamos em poderosas antenas de percepção sensorial/criativa, gerando nossas próprias opiniões, mas aceitando que nossos valores, nossas idéias, não são nem piores e nem melhores do que as dos outros, e sim, diferentes.É importante nos policiarmos para buscar compreender as situações e idéias das quais discordamos ou nutrimos alguma aversão, tentando vê-las do ponto de vista de quem as defende.
Laboratório usando interfaces colaborativas: criar comunidades o mais impensáveis possíveis e vídeos com potencial viral, no YouTube. Aproveitar a facilidade e a visibilidade desses ambientes para projetar experiências livres
Registro de qualquer idéia ou fragmento: Nunca usar o computador SEM um arquivo aberto em algum editor de texto ou email, para evitar a preguiça de abrir o software, achando que a idéia ou fragmento serão percebidos novamente. Idéias e observações interessantes sobre qualquer assunto do nosso interesse pessoal e profissional devem ser registrados. O próprio ato de anotar cria vínculos mnemônicos entre fragmentos de idéias, aumentando a habilidade de produzir novos fragmentos, que vão dar origem às grandes e boas idéias.
Imagens sensoriais: Registro e observação, análise, de imagens de qualquer natureza, baixadas no decorrer do dia; imagens que gerem interesse suficiente para que as baixemos, não estando relacionadas necessariamente a projetos. Isso vai gerar reflexos mnemônicos pouco previsíveis quando retornarmos a elas, posteriormente.
Brief-feeding - Leitura do material por 3 vezes – imersão e percepção total do material primordial de trabalho.
Interface updating: pesquisar semanalmente novas extensões para o Firefox, para o Gmail, enfim, para as interfaces que você utiliza regularmente, mantendo-se atualizado, aproveitando os novos facilitadores que surgem a cada dia.
Tomada de posições \ lapidar opiniões em “estado bruto’ - Uma das etapas mais importantes do esforço sinergético é, sem dúvida, o estudo de referências. Mas como fazer um bom estudo de referências se não somos hábeis em tomar posições? Quero dizer que opiniões como “acho bacana” ou “esse layout é legal”, expressam sentimentos válidos, mas se esses são os únicos atributos que você encontra em web design, design gráfico ou artes plásticas, está mostrando que esses seus sentimentos estão em estado bruto, ou seja, aquela comunicação visual ‘mexeu com você’, mas você não encontra mecanismos para desconstruir essa impressão, definindo exatamente O QUÊ mexeu com você e PORQUE. Design pode ser muito bacana por razões bem definidas, e isso é importantíssimo para nós que criamos e desenvolvemos.
Para apurarmos nosso senso crítico visual, é fundamental que nos comportemos como artistas. O design é capítulo fundamental na história da arte, e nós, que vivemos a pós-modernidade, fazemos parte dessa história. Diferente das artes plásticas, que trabalham focalizando a expressão do artista, o design, ou ainda, o webdesign é um desafio diferente: o artista, nós, precisamos distribuir nossa atenção para os aspectos práticos, comerciais ou utilitários, enquanto expressamos nossa arte. No dia-a-dia das agências, infelizmente, os webdesigners não têm tempo para essa auto-avaliação e acabam por recebem o rótulo de ‘peões digitais’, isto é, uma força de trabalho capaz de operar software. Se for o seu caso, puxe o freio de emergência AGORA e comece a ver o artista que existe em você, não apenas o profissional.
Estudo teórico / prático de assuntos relacionados ao webdesign/arte, por rodízio (ex: segunda-feira: tipografia / terça-feira: história da arte, quarta-feira: programação Flash, etc)
Leitura livre recreativa ou vídeo por pelo menos 30 minutos (videoarte, literatura, poesia, quadrinhos, romance, qualquer tipo de leitura de qualidade);
Aprender a Amar o que deve ser amado, sem se apegar ao objeto/pessoa/situação amado, e com isso, amar sem medo. Isso nos dará confiança para perceber novas possibilidades na vida, não apenas visuais, com tranquilidade.
10 - A tecnologia surge como uma grande aliada no processo de criação na web. Porém, é comum sua aplicação tornar muitos projetos padronizados e pouco originais. Existe um limite no uso da tecnologia e de que maneira ela pode contribuir efetivamente para alcançarmos a criatividade?
A tecnologia é curiosa: se por um lado ela traz consigo um pressuposto “progresso”, pois facilita, agiliza, otimiza os processos humanos, por outro lado ela se alimenta da própria obsolescência, já considerando que no momento em que é lançada ao público, ao mercado, já está obsoleta. Por isso mesmo não devemos ser “escravos” de nenhuma tecnologia específica, mas sim, reconhecer com muito bom-senso suas limitações e suas vantagens em relação aos nossos propósitos criativos e comerciais. As soluções conceituais e tecnológicas universalistas geralmente são restritivas, pois presumem uma adequação da interface ao maior número de pessoas simultaneamente; por outro lado, as soluções especifistas, por natureza, exclusivistas, por causa de seus focos bem-definidos acaba por canibalizar uma parte do público quando não oferece vias alternativas de comunicação, gerando dead-ends.
Quinta-feira, 12 de Junho de 2008
Entrevista com Ronaldo Gazel - Revista Webdesign - Maio 2008 - Metodologia de Criação - Parte 01

1 - A criatividade é considerada requisito básico para alcançarmos um diferencial em um projeto. Em tempos digitais, quais seriam os parâmetros para definirmos algo criativo na web?
Antes de debatermos sobre os parâmetros do que é criativo, permita-me falar sobre o lugar-comum, o que não causa surpresa; sobre as idéias, imagens e objetos aos quais somos indiferentes, das idéias recicladas à exaustão, das “soluções fáceis” – clichês de todos os tipos, chavões, ´gags´ prontas; Do desgaste tipográfico, de recursos pictóricos hyped que, no dia seguinte, estão surrados, rotos, maltrapilhos....
Todos esses maus atributos estão diretamente relacionados a uma só palavra: saturação; Saturação da linguagem, das estéticas, que seguem uma via inevitável de ascensão e queda, de amor e desprezo – fenômenos que se sucedem de maneira extremamente acelerada. Nesse cenário, torna-se evidente a dificuldade de se criar algo que tenha personalidade própria, que se sustente por mais tempo do que o esperado; que consiga, diante do consumo e regurgitação vorazes do público, conquistar um outro patamar. Não é nada fácil ter certeza das estratégias e objetivos que escolhemos diante de tamanha complexidade, das trocas de personalidade editorial (quem era expectador, agora também passa a ter sua própria audiência), do fluxo cada vez mais frenético, de dados; fatos que nos fazem questionar a todo tempo quem são os personagens na cadeia de consumo criativo.
Precisamos, para tanto, antever a percepção da mensagem, por parte do nosso público, compreendendo totalmente sua personalidade e seu papel no mundo digital - e com essa habilidade, ir além da gestalt, do sensorialismo puro da forma, mudando o ponto de vista sobre o que consideramos o ‘lugar comum’, considerando os clichês que deverão ser quebrados, em cada tipo de abordagem, para, criarmos, finalmente...o imprevisível!
O imprevisível que feche a gestalt, comunicando por uma via não-usual, trazendo satisfação para quem recebe a mensagem, enquanto, na outra ponta, faz o responsável pela ‘solução criativa’ obter prazer ao cumprir a tarefa, reafirmando-se cada vez mais como profissional e aumentando a sua crença.
Estamos habituados a um automatismo funcional do pensamento e da linguagem; digo funcional, porque sobrevive latente, dentro de nós, o mesmo instinto de sobrevivência que nossos antepassados, nas cavernas, possuíam. Sentimos necessidade da linguagem, no dia-a-dia, para nos comunicar da maneira mais rápida e mais prática possível. Caso contrário, a má comunicação irá se refletir em problemas de natureza material, funcional. Então nos apegamos a um modelo automatizado de linguagem. Romper esse modelo é o objetivo da criatividade, seja qual for o meio em que se manifeste.
Podemos dizer, assim, de forma resumida, que a criatividade é um mecanismo especial, diria lúdico, de se trabalhar a linguagem além do lugar comum, dos paradigmas cotidianos. Aplicada à web, que é o maior catalisador de modelos interativos, para onde convergem todos os experimentalismos da linguagem, das interfaces, a criatividade se torna-se o maior campo de atividade intelectual, criativa, cultural, artística e social existente.
2 - Uma característica muito importante para se atingir a criatividade envolve a motivação. Assim, os especialistas recomendam revermos freqüentemente os nossos sonhos e nossas metas pessoais e profissionais. Com sua experiência, é possível apontar o momento ideal para se fazer essa avaliação? E de que forma ela deve ser feita?
Definir metas e sonhos, para muitas pessoas, soa como se estivéssemos falando sobre algo irreal, algo fantasioso, infantil. Uma das razões disso talvez seja o fato de que, quando somos crianças, nossa mente é muito livre para conectar idéias, imaginar possibilidades. Mas com o passar do tempo vamos ouvindo a palavra NÃO, vamos sendo tolhidos, moldados, ajustados segundo um “zeitgeist”, uma consciência coletiva, como um “grande irmão” que nos vigia e nos repreende quando pensamos de forma diferente dos demais, quando questionamos os mecanismos culturais, sociais, políticos e econômicos, buscando a nossa identidade real.
Você sabe como se cria um circo de pulgas? Pegue um recipiente cilíndrico transparente, coloque lá algumas pulgas, e tampe com um vidro. Imediatamente as pulgas vão querer saltar para fora do recipiente, e nessa hora, acabam por bater suas cabeças no vidro. Depois de 1 ou 2 dias você já pode retirar a tampa de vidro e amestrar suas pulgas, porque elas nunca pularão para fora do recipiente! Porque, apesar de não haver mais a tampa, elas sempre pensarão que a tampa está lá. Assim acontece conosco também: depois de alguns fracassos pontuais, a maioria das pessoas acaba criando uma “tampa de vidro”, e passam, como defesa contra o medo de se frustrar novamente, a não acreditarem que o sucesso é possível, que alcançar um diferencial, “saltando mais longe”, é ilusão e assim, melhor ser pessimista (ou “realista”, um eufemismo) do que otimista.
Quero dizer que, se num passado recente você tentou planejar o presente e o futuro, definir objetivos existenciais, então ao invés de se frustrar, é preciso despertar e praticar nossa sinceridade e nossa fé. Sinceridade para reconhecer sem superestimar ou subestimar a realidade dos fatos, a nossa responsabilidade para com a situação; Fé, para manter inabalável a crença em nós mesmos, ou naquilo em que acreditamos e dá sentido à “bússola de interesses”, sentido que nos guia em direção aos nossos objetivos mais primordiais.
Certa vez uma pessoa chegou na rodoviária e foi comprar uma passagem. Chegando no guichê, disse: “quero uma passagem.”. O vendedor perguntou: “pra onde?”. Ele respondeu: “sei lá, pra qualquer lugar”. Essa história exemplifica a falta de metas específicas na nossa vida. Precisamos saber pra onde vamos e se realmente queremos chegar lá, e pra isso, temos que aumentar nosso controle sobre a tal ‘bússola de interesses’, o lugar na mente onde ficam as informações mais preciosas sobre as nossas vidas: do que gostamos e o que queremos – os nossos sonhos e metas. Se não fazemos essa avaliação diariamente, só iremos descobrir, muito tempo depois, que superestimamos ou subestimamos determinada crença ou valor que deveríamos ter abandonado ou adquirido. Revendo metas e sonhos, podemos aumentar a coerência entre o que somos e o que fazemos.
3 - Em palestra realizada durante o 10º Encontro de Webdesign (www.arteccom.com.br/encontro), você analisou a síndrome da tela branca, momento no qual muitos profissionais esperam pelo "surgimento" da criatividade e que acaba acarretando, muitas vezes, no bloqueio criativo. Quais são os caminhos para se evitar tal bloqueio?
A tela branca representa o AGORA, a responsabilidade da ação. Não dá pra fugir dela - se correr, o bicho pega - você perde o cliente - e se ficar, o bicho come - você é nocauteado pela tela branca.
Todo esse medo, essa sensação de náusea, de estômago embrulhado que todos nós temos quando colocados à prova, nos faz ficar tensos, por causa do medo, do receio de nos deparar com questões existenciais mal-resolvidas, medo de descobrir que superestimamos a nós próprios. Por isso, a primeira coisa a se fazer, antes de tentar resolver um conflito, um bloqueio criativo, é se auto-aceitar, aceitar a situação, respirar fundo, tentar acalmar o coração e a mente. O relógio interior não pode correr no mesmo timing do relógio do mundo na hora da criação, o timing da nossa vida é que tem que dar as coordenadas para o tempo do mundo, das coisas.
Todos sentimos medo, mas nem todos conseguem lidar com esse sentimento de maneira positiva. O medo humano é um mecanismo feito para nossa proteção, nosso senso de auto-preservação. O problema é que ele facilmente se transforma num monstro gigante quando estamos desesperados. E como iniciaremos um trabalho criativo estando totalmente desestimulados? Primeiramente, respirando fundo e nos dedicando a uma procura sincera pelos motivos reais do bloqueio. Enquanto não estivermos mentalmente, espiritualmente prontos, será IMPOSSÍVEL criar algo de qualidade, é melhor nem tentar. Portanto, dediquemo-nos a uma auto-avaliação sincera, mesmo que isso não seja algo agradável, a princípio. Mas é um grande remédio contra o MEDO.
É verdade que gostaríamos mesmo é que a criatividade fluísse de nós ‘automagicamente’? Primeiro, porque dói. Isso mesmo, dói. Expressar criatividade através da comunicação visual é solucionar um problema, é conectar possibilidades mnemônicas com valores lógicos (e pior, subjetivos!), charadas, codificando e decodificando informações, Porque, ao longo da nossa vida, no nosso dia-a-dia, deixamos de fazer algumas coisas em prol de fazermos outras. Nesse momento entra em ação a nossa ‘bússola de interesses’, que define DO QUE GOSTAMOS, O QUE QUEREMOS, valores que mudam a todo instante e que vão definir se você vai ou não sair da sua ‘Zona de Conforto’ em prol desse objetivo.
Não existem atalhos fáceis para se conquistarem resultados satisfatórios, na vida e no webdesign; eu diria até mesmo que para se atingir a felicidade, o prazer da superação, da vitória, é preciso que entendamos o fato de que não existe ganho, sem dor. Ou ainda “não existe almoço grátis”
A simplicidade do esforço adequado, nas atividades corretas, faz com que todo o sofrimento se transforme em catarse quando você perceber, nitidamente, que depois da “dor” - pesquisa, autocríticas, esboços, leituras, estudos, etc - do esforço de auto-transformação, vem o prazer, a satisfação impagável da auto-estima. Não se engane, sem auto-estima não temos vontade de fazer quase nada bem-feito, que tenha diferencial. Por isso mesmo que normalmente nossos bloqueios criativos acontecem, quase sempre, quando estamos confusos mentalmente, psicologicamente.
Se não tivermos coragem para estar frente a frente com nossos bloqueios, entendendo-os e acabando com ele na raiz, nas causas, não vai adiantar sair pra ver um filme, ler um livro, ir ao teatro, namorar, etc. Exatamente como acontece com as pessoas que pensam poder eliminar seus problemas virando um eremita, morando numa montanha longe de tudo - o problema vai continuar dentro delas.
Outra maneira de vencer o medo é possuir ferramentas afiadas, isto é: buscar o know-how técnico, adquirido pela leitura de livros formativos, participação em fóruns, em cursos ministrados por instituições qualificadas e muitas lidas no Help de programas, representam os INTRUMENTOS de que um webdesigner precisa para realizar plenamente as suas atividades criativas. Mais do que ser programador, animador, fotógrafo, pintor, redator, seja o que for, o designer precisa se lembrar de que antes de tudo, é um COMUNICADOR VISUAL – queira, ou não queira. Não vai adiantar nada uma técnica primorosa e uma capacidade de comunicação mínima. E vice-versa: uma boa capacidade de comunicação pode ir por água abaixo se não houver ferramentas capazes de expressá-la.
Seja qual for o método escolhido para superar o bloqueio, um critério é válido universalmente: não devemos aguardar o ‘momento ideal’ para se desenvolver o trabalho, porque, mesmo que esse momento existisse, você não saberia distingui-lo. Isso porque a nossa idéia de momento ideal é quando a solução – muito mais do que um simples layout – surge como num passe de mágica, pronto, na sua mente. Mas isso raramente acontece, e de fato, é preciso rever aquela charada do ‘ovo e da galinha’ – quem veio primeiro? - e perceber que, enquanto não começamos, estamos deixando trancado dentro de nós, travado, preso, o poder criativo, que fica inibido quando demonstramos demonstração, insegurança, para nós mesmos. Esse é o paradoxo da criatividade: se você não começar a produzir, ela não surge; se ela não surgir, você não começa a produzir. Por isso tudo, é melhor, com ou sem ‘inspiração’, colocar a mão na massa. Essa atitude, de fazer primeiro e perguntar depois, mesmo sem motivação, é boa em todas as circunstâncias:
4 - Nesta mesma apresentação, você revelou o uso do esforço sinergético como uma boa metodologia a ser aplicada em um processo de criação. Em que consiste este modelo e de maneira ele pode ser aplicado no design para web?
É a engrenagem que vai fazer a criatividade se manifestar, é a metodologia que ajuda a colocar os nossos mecanismos criativos em ESFORÇO CORRETO, gerar o desejo REAL de se fazer a criação. Com esse Esforço Sinergético – metodologia formada por etapas intercaláveis de criação e desenvolvimento, vamos sentir de maneira consciente, que estamos conectando idéias, gerando metáforas visuais com mais fluidez e desejo, lidando com significados, significantes e conexões simbólicas de modo harmonioso.
O conjunto original é formado pelos seguintes itens:
- Brainstorming: Aqui se registra qualquer fragmento de idéia ou comentário que seja pertinente ao projeto, ou qualquer outro tipo de registro emocional/criativo. É uma área livre, aqui não existe culpa nem medo, apenas liberdade total.
- To Do List: Aqui se definem os elementos de comunicação visual que você acha que vai usar, e também se registram os testes visuais que se fizerem necessários. É um lugar de se tomar decisões rápidas e de grande importância. Aqui você vai descartar ou aceitar idéias.
- Apresentação: Escrevendo um relatório completo sobre o seu projeto, você prepara terreno fértil para suas idéias brotarem. É preciso que a finalidade de todas as suas ações esteja bem definida, pois, assim, você fica mais confiante no trabalho, ao verificar que está agindo de acordo com a proposta. Posteriormente esses registros poderão ser muito úteis quando você apresentar o fruto do seu trabalho.Você usa a apresentação na para criar o projeto e a aproveita depois na hora de apresentar o trabalho. Uma necessidade básica.
- Estudo de referências: Registro visual e textual (se possível) que mostram caminhos usados por outros webdesigners para vencer desafios em situações semelhantes às que o seu projeto apresenta.
- Seu arquivo de layout: É a tela do seu ambiente de criação, de desenvolvimento; seu programa de ilustração, composição, 2D ou 3D, onde você vai registrar todos os seus layouts, do primeiro ao último. Esteja pronto para criar de 3 a 10 layouts evolutivos durante o processo de criação. Para entrar aqui, você precisa estar pronto para testar alguma idéia ou já ‘colocar a mão na massa’, criando os elementos da interface.
Com o Esforço Sinergético, sintetizei parte da minha metodologia para que outros profissionais também pudessem experimentá-la em suas realidades. O método é bastante simples, formado por 5 atividades – em princípio comuns – seu segredo está, não em técnicas mirabolantes, exóticas, e sim, na sua natureza utilitária e na maneira de se pensar a metodologia, sem linearizar o processo, aumentando a própria mobilidade sensorial, percebendo o todo, transitando caoticamente por entre as etapas, deixando-as direcionar seu próprio rumo.
5 - Dentre as etapas do esforço sinergético (apresentação, brainstorming, todo list, arquivo de layout e estudo de referências), você recomenda que o profissional inicie esta metodologia pela apresentação, uma espécie de produção de um relatório minucioso de um projeto. O que deve ser relatado nesta etapa e quanto tempo ela deve consumir do período total destinado ao processo de criação?
A sugestão para se iniciar pelo item “Apresentação” é uma dica para quando a auto-confiança e o desejo de realizar o projeto parecem ter desaparecido, dando lugar a pensamentos sempre negativos. “Apresentação” é um item é absolutamente racional, priorizado justamente porque, nele, a inteligência cartesiana, a lógica, entram mais facilmente em atividade, digamos, “forçada”, permitindo dar partida no projeto, organizando nosso plano de ação. Á medida em que vamos, dolorosamente, escrevendo as primeiras linhas, o desconforto vai desaparecendo e dando lugar a um entendimento maior da questão, gerando auto-confiança.
Iniciar por esse item, permite planejar o tempo de desenvolvimento de um projeto visto sob uma ótica integral, deixando de pensar em layout como quem senta num programa de ilustração, ou diante de uma tela de pintura, e começa a pintar/desenhar. Isso representa apenas uma etapa do processo. É preciso que, antes de iniciar a criação, façamos uma previsão de tempo pra cada etapa necessária, incluindo criação da arquitetura de informação, definição de objetivos, levantamento de metas específicas a serem alcançadas, ou ainda conclusões/pré-conclusões - pressupostos idealizados no decorrer do projeto. Quando temos uma percepção realista do tempo disponível, organizando-o em etapas defininidas, ficamos mais conscientes das possibilidades e assim, poderemos iniciar o processo criativo trabalhando simultaneamente em várias frentes. É como se déssemos o pontapé inicial: a partir do momento em que o projeto passa a “viver”, ele deixa de ser apenas uma idéia flutuando sob nossas cabeças, ganhando movimento, força. Assim, com esse impulso propulsor, as demais atividades começam a tomar vida própria também.
Na prática, o esforço sinergético permite que para cada estado gestáltico (no sentido psicológico, nosso status psico-emocional) – optemos por uma das atividades selecionadas; aliás, essa habilidade é determinante para que o processo seja sempre individual, ajustado para cada perfil e cada realidade.



